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A nova lógica do “Senhor Cliente”

Pastoral

Calabreza é um bom sabor de pizza, mas não para quem pediu por uma napolitana. Frustração, irritação e, em alguns casos, fúria. Fomos desconsiderados e diminuídos em nossas reivindicações. Como clientes exigentes queremos ser atendidos detalhadamente, senão reclamamos, abandonamos o restaurante e até acionamos os órgãos de defesa ao consumidor.

Nosso coração é assim, não gosta de ser contrariado. “O Cliente é o Rei”, dizem. Então, que se aplique essa lógica ao restante da existência. Na vida conjugal “faça-me feliz ou eu troco de cônjuge”, no ambiente acadêmico “mudem as regras das avaliações ou eu mudo de escola” e na vida espiritual “agradem-me ou eu me transfiro de igreja”. Como afirmei no Boletim anterior, é a lógica do mercado, em sua versão evangélica.

Se as coisas continuarem assim, dentro em pouco teremos Santa Ceia entregue por motoboys e pagamento de dízimo pela Internet. Os “clientes” têm cada vez menos tempo, precisam de uma igreja que se adapte a eles e da qual eles migrem ao menor sinal de desagrado, desgaste ou chateação.

Essa tendência ganha cada vez mais força. Ministérios multiplicam-se e as devoções se fragmentam, agora não mais por causa de convicções doutrinárias ou desejo de novas experiências espirituais, mas, simplesmente, pela ideia de que tal igreja combina mais com meu estilo de vida, oferece mais serviços e uma melhor relação custo-benefício: a lógica do mercado.

“Ide, portanto, e fazei discípulos” (Mateus 28.19). O Senhor deseja seguidores-aprendizes e não clientes. Ele chama por servos, dispostos a colocar as mãos no arado sem olhar pra trás (Lucas 9.62). Por essa ótica a igreja passa a ser não um lugar de atendimento das necessidades sentidas, mas um espaço para amadurecimento, no qual eu aprendo a ouvir e a doar de mim mesmo enquanto desfruto da graça por meio de Jesus. Igreja onde as pessoas têm nomes e histórias, onde há avôs e avós, famílias, pessoas solitárias, gente virtuosa e problemática e, consequentemente, fases produtivas e improdutivas, cultos atulhados e esvaziados — um lugar marcado até por manias e esquisitices. Igreja, o lugar sem-igual de formação de discípulos.

Comunidade da aliança ou butique de serviços? Discípulo fiel ou cliente sempre pronto a reclamar do “tempero” do último sermão, ou da qualidade “questionável” do último evento? Servos ou consumidores?

Que Deus nos livre da lógica do mercado.

Publicado no Boletim 006.

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5 comentários

  1. admin disse:

    Querido Adelson, o bom é saber que você continua com paciência para ler minhas “abobrinhas”. Você é um amigo de quem tenho muitas saudades. Abraços na Norma e nos “meninos”.

  2. adelson simoes disse:

    É muito bom ler as pastorais do senhor!! Porque o sr as escreve com autoridade assim como nas pregações. Deus continue abençoando-o, e iluminando-o cada vez mais. Abraços do irmão e irmão, Adelson Simões.

  3. admin disse:

    Sim, pode utilizar, sem problemas.

  4. Rev. Cícero disse:

    Rev. Misael, gostaria de usar seu editorial em meu boletim. Evidentemente, citareia a fonte. Um grande abraço.

  5. Rev. Cícero disse:

    Como sempre, seus escritos são pertinentes e atuais para a vida prática da Igreja. Vivemos o momento do pragmatismo em que, o que for mais prático é o melhor. Em um tempo não muitodistante, os cristãos não irão ao templo para adorar, se “conectarão” via net. Deus continue a usá-lo como uma voz Sua nestes tempos da pós modernidade.

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