“Aproveitai as oportunidades”

Paulo estava preso quando escreveu à igreja de Colossos. A prisão por si só já seria um enorme motivo para muitos se entregarem ao desânimo e vitimização, mas para Paulo isso era uma questão de perspectiva. Ele poderia se ressentir com sua prisão injusta, já que estava preso por pregar o evangelho aos gentios (o que não era crime passível de prisão, segundo a Lei Romana) ou, então, ele poderia usar esse momento para que o evangelho brilhasse ainda mais na salvação dos gentios. Em Colossenses 4.2-6, da mesma forma que já havia afirmado em Filipenses 1.12-13, Paulo pede que a igreja prossiga em oração para que aquela e outras oportunidades estabelecidas por Deus em seu soberano conselho (Ef 1.11), redundassem na salvação de muitos daquele lugar.

Paulo aproveitou bem a oportunidade da prisão!

Há pelo menos três coisas que não tornam atrás uma vez praticadas: a flecha lançada; a palavra dita e a oportunidade perdida. Paulo entendia bem o papel da oportunidade, daí ele exortar a igreja a aproveitá-la no anúncio do evangelho. É isso que mostra o sentido na língua original desta frase: “aproveitai as oportunidades” (Cl 4.5). O verbo “aproveitar” tem o sentido de redimir, resgatar, comprar algo no mercado de modo imediato, apontando para a urgência e necessidade da ação; o substantivo “oportunidade” vem de uma palavra usada no NT (kairos) que aponta não para um momento pontual do tempo, mas um “espaço de possibilidades”. Em linhas gerais, Paulo está dizendo que quando os cristãos interagem com não-cristãos, precisam aproveitar esse tempo (não é opção), com sabedoria, para levar a mensagem da salvação. A NVI capta bem este sentido: “aproveitem ao máximo todas as oportunidades”.

Nós aproveitamos todas as oportunidades no anúncio do evangelho? Eu não digo pregar um sermão, mas sim ter aquele sentimento de Paulo quando escreve aos Coríntios: “assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos” (1Co 10.33; grifo nosso). Interagimos com pessoas sempre buscando despertar nelas o interesse pelo evangelho que é “o poder de Deus para salvação” de suas almas [Rm 1.16]? Se não fazemos isso, corremos o risco de ser causa de tropeço para elas e escândalo para a igreja de Cristo (1Co 10.32), uma vez que, para aquelas, sonegamos o bem mais precioso que qualquer ser humano pode receber durante sua vida: a salvação de sua alma pela fé em Cristo Jesus, e para esta, dizemos ao mundo que recebemos em vão a graça de Deus em Cristo (2Co 6.1-3).

Como cristão você nunca vai ao posto de combustíveis, ao mercado, ao trabalho, sai de férias com a família ou se reúne com familiares descrentes; você é sempre “enviado” por Cristo ao mundo (Jo 17.18) com a missão de pescar homens (Mc 1.17) para a glória de Deus!

Rogério Cruz.

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