As eleições de Deus e dos homens

Desde a semana passada, falamos sobre uma reunião de líderes cristãos, realizada no séc. 17, na cidade de Dort (Holanda), conhecida como Sínodo de Dort. Destacamos este assunto porque neste ano as igrejas reformadas celebram os 400 anos daquela reunião. Informamos que aquele concílio publicou um documento intitulado Cânones de Dort, que organizou a doutrina bíblica da salvação. Mencionamos o artigo 1 (do cap. 1) do documento, que explica a depravação total e afirma que “toda a humanidade é condenável perante Deus”. Daí aplicamos isso ao momento eleitoral atual.

Os artigos 6-18 (do cap. 1) dos Cânones abordam a doutrina da eleição. Não há espaço para explicá-la aqui. Basta compreender que, apesar de todas as pessoas se afastarem de Deus por causa do pecado (depravação total), Deus escolheu algumas para serem salvas. O critério para esta escolha é graça pura (eleição incondicional). Deus elege para salvação pessoas que não merecem ser salvas. Sua escolha não é baseada em nossa fé, santidade ou competência, mas unicamente em seu amor livre e intencional (Jo 5.21; 15.16; Ef 1.3-14; 2.8).

O assunto aqui é “capacidade de escolha”. E notemos, quanto à escolha humana, que Dort expõe dois entendimentos — ambos verdadeiros e complementares. O primeiro é o de que o ser humano só consegue “escolher” a salvação se, antes de tudo, ele próprio for escolhido por Deus para ser salvo (Jo 6.44).

O segundo entendimento é o de que, mesmo decaídas, as pessoas podem e devem escolher representantes para tomar decisões e governar por elas. No sistema presbiteriano é assim que um sínodo funciona: as igrejas elegem “delegados”, pessoas a quem delegam o poder para lidar com questões pertinentes à doutrina e gestão da igreja. Se a eleição de Deus para a salvação é incondicional, a eleição para cargos de governo (seres humanos elegendo outros seres humanos como seus representantes) considera caráter e competência (At 6.3; 1Tm 3.1-13; Tt 1.5-9). Em suma, por causa da queda, nós já nascemos “mortos em delitos” (Ef 2.1-3). Não temos livre-arbítrio como disposição e possibilidade de escolher Deus. Por outro lado, podemos e devemos fazer escolhas morais e administrativas (possuímos livre agência).

Deus sempre escolhe corretamente. Sua vontade é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Nós, porém, somos limitados em nosso conhecimento, discernimento e escolhas. Pedimos sabedoria a Deus (Tg 1.5-8), mas às vezes nossa tolice é tão grande, que nos arrependemos até de decisões tomadas depois de muita oração.

Hoje faremos escolhas administrativas importantes. Votaremos para eleger Presidente da República, Governador, Senadores (2), Deputado federal e Deputado estadual. Escolhamos representantes para o bem do Brasil e a glória de Deus.

Pr. Misael.

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