Arquivo da Categoria 'Pastorais'

O passado passou

Pastoral

O título acima é uma redundância, uma obviedade. Qualquer pessoa em sã consciência sabe disso e uma afirmação contrária é tida por ilógica e insconsistente. O autor bíblico afirma que, de certa maneira, nada se altera: “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós” (Eclesiastes 1.10). Por outro lado, a história, segundo as Escrituras, é linear, segue uma linha que tem início, meio e fim. Ao contrário dos orientalistas, que vêem a história como um ciclo ininterrupto de recomeços, enxergamos que esta é formada por estágios nomeados como passado, presente e futuro.

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A nova lógica do “Senhor Cliente”

Pastoral

Calabreza é um bom sabor de pizza, mas não para quem pediu por uma napolitana. Frustração, irritação e, em alguns casos, fúria. Fomos desconsiderados e diminuídos em nossas reivindicações. Como clientes exigentes queremos ser atendidos detalhadamente, senão reclamamos, abandonamos o restaurante e até acionamos os órgãos de defesa ao consumidor.

Nosso coração é assim, não gosta de ser contrariado. “O Cliente é o Rei”, dizem. Então, que se aplique essa lógica ao restante da existência. Na vida conjugal “faça-me feliz ou eu troco de cônjuge”, no ambiente acadêmico “mudem as regras das avaliações ou eu mudo de escola” e na vida espiritual “agradem-me ou eu me transfiro de igreja”. Como afirmei no Boletim anterior, é a lógica do mercado, em sua versão evangélica.

Se as coisas continuarem assim, dentro em pouco teremos Santa Ceia entregue por motoboys e pagamento de dízimo pela Internet. Os “clientes” têm cada vez menos tempo, precisam de uma igreja que se adapte a eles e da qual eles migrem ao menor sinal de desagrado, desgaste ou chateação.

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Consumidores ou adoradores?

Pastoral

O universo empresarial é governado pela competitividade. Sobrevivem os que se adequam às orientações do mercado. “Conquiste clientes ou morra”— eis o lema dos empreendedores vitoriosos. Tal orientação tem sido assumida por diversos tipos de organizações. Para as entidades filantrópicas é preciso estimular os mantenedores; órgãos governamentais querem agradar ao contribuinte e partidos políticos investem em fidelizar seus afiliados em um contexto de muita concorrência.

A igreja começa a reproduzir este modelo. Hoje somos um mercado. Basta trocar a palavra “cliente” por “membro” e, no fim das contas, pastores se tornam executivos e as atividades das igrejas, estratégias para aumentar suas “fatias” no segmento dos crentes. Isso tanto é assim que não se estranha o fato de produtoras tradicionalmente ligadas à música não-cristã bancarem gravações de bandas gospel, nem ainda a proliferação de revistas ditas evangélicas que vendem pregações e palestras de pastores que praticam marketing de guerrilha no afã de divulgarem os produtos de seus “ministérios”.

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Cristão 2010

Pastoral

Em 2010 tudo vai ser diferente. Neste início de ano, desejo melhorar em todos os sentidos. Deixarei para trás todas as coisas que, no ano que passou, entristeceram ao Espírito de Deus.

Pra começar, prometerei menos e cumprirei mais. Foram tantos os votos, tantas as consagrações, tantos os compromissos assumidos. Faltou tempo ou vontade para cumprir todos. Irei quando disser que vou, pagarei quando disser que pago, farei quando disser que faço. Chega de palavras não cumpridas. Preciso ser alguém com mais credibilidade, que valoriza a honra de Deus e a minha posição de discípulo de Cristo.

Em 2010 servirei a Deus com mais entusiasmo. Foram tantas as ocasiões que deixei de participar da vida da igreja: “estou cansado, estou chateado, estou entristecido ou completamente indisposto” foram frases que repeti muito em 2009, sempre que pensava nas atividades realizadas pelo corpo de Cristo. Agora, neste início de novo ano, entendo que Deus deve ser louvado em todas as ocasiões, que a igreja é a família de Deus e que nada justifica minhas displicência quanto aos seus trabalhos.

Em 2010 serei menos ranzinza. Considerarei menos os olhares, os gestos, os comportamentos e as omissões das pessoas que me cercam. Olharei a todos e a tudo o que me acontece com a visão de Cristo. Serei menos amargo e mais aberto para os relacionamentos graciosos.

Em 2010 serei mais crente. Olharei menos para as circunstâncias e mais para o Senhor, crucificado e ressurreto. Não acolherei a derrota como sina implacável; não me dobrarei com o peso da tribulação. Em nome do Senhor e com humildade, caminharei com dignidade.

Enfim, quero deixar de ser o cristão de 2009. Quero ser o cristão 2010, transformado e amadurecido pelo poder do Altíssimo. Que Deus me conceda esta graça!

Publicado no Boletim 004.