Conquistando a Lagoa Azul

Recordo-me bem de uma visita que fiz a Pirenópolis, cidade histórica, fundada em 1727, por bandeirantes, durante o ciclo do ouro. Saboreei uma comidinha feita em fogão de lenha, tomei um café torrado em casa, e decidi levar a família para conhecer a Fazenda Bonsucesso, uma das mais tradicionais da região. Ali seguimos por uma trilha de 1.500 metros, com destino a seis quedas d’água de pequeno porte, percorrendo um caminho cada vez mais íngreme. Passamos por uma calçada de pedra, resquício de uma estrada oficial construída no século XVIII, e caminhamos adiante, chegando à cachoeira do açude. Depois prosseguimos passando pelas quedas do Landi, Palmito, Pedreira e Bonsucesso.

A última das cachoeiras chama-se Lagoa Azul. É a mais bonita de todas, a que recebe mais sol, ladeada com grandes pedras achatadas e lisas e vegetação exuberante. Sua profundidade chega a 5 metros, com recepção de 1,2 metro, possibilitando o banho de crianças. De suas margens, podemos ver todo o vale e parte da cidade, uma visão digna de ser guardada na memória. A água é limpíssima (e muito, muito gelada!). Enfim, estar ali é conhecer um pedaço muito bonito da criação de Deus.

Na subida, encontramos um casal com um filhinho que nos avisou: — Vocês querem chegar até a Lagoa Azul? Saibam que é difícil — afirmaram, enquanto nos olhavam com rostos que diziam “esse índio gordinho e essas mulheres e crianças nunca chegarão ao topo!”. Ao pé da Lagoa deparamo-nos com uma placa com os dizeres: “Subida desaconselhável para pessoas sem preparo físico”. “Um aviso pra mim”, pensei. Mas prosseguimos. O importante é que, depois de vários minutos e diversos clamores por misericórdia, chegamos lá!

A realização compensou o esforço. Percebi que a beleza das cachoeiras é proporcional à dificuldade para alcançá-las. Olhando tudo aquilo, pensei que a vida cristã é assim, feita de muitos desafios, de pessoas que nos encontram com a “tarefa santa” de nos desanimar (não vai dar não, é melhor desistir porque a coisa é difícil), de tocos, pedras e subidas íngremes. Também considerei que devemos ser perseverantes. Quando conquistamos as alturas, vemos o melhor de Deus. As alturas espirituais são conquistadas quando nos rebaixamos sob a mão do Senhor, e clamamos por força e misericórdia. Quando assumimos as trilhas que Deus traçou para nós e nos dispomos a prosseguir com confiança, Deus nos visita com poder, nos capacita para a caminhada, e transforma ineptos em escaladores, gansos em águias, derrotados em vitoriosos.

Rev. Misael. Publicado no Boletim 018.

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