Creio na comunhão dos santos

“Comunhão” é uma palavra muito repetida, mas pouco compreendida. Eis outro tema enriquecido pelos pais reformadores.

Para Calvino, a afirmação do Credo, “creio […] na comunhão dos santos”, nos é dada “a fim de que cada um de nós se contenha em fraterno consenso com todos os filhos de Deus, reconhecendo a autoridade da igreja e se conduzindo como ovelha do rebanho”.[1] Na comunhão, sentimo-nos parte de um corpo tanto vivo quanto organizado, e assumimos um comportamento edificante.

Comunhão é o desfrute comum de benefícios espirituais que produz aperfeiçoamento. Enquanto caminhamos “debaixo do sol”, distantes de perfeição celestial, somos agraciados com a vida da igreja. A igreja deve nos motivar à aproximação do Senhor. Na comunhão nós somos “contidos”; desligados dela, “não há esperança de remissão de pecados, nem qualquer salvação”,[2] de modo que “é sempre funesto o afastamento da igreja”.[3]

Comunhão dos santos é comunhão da e na igreja, um conceito que vai além de amizade. Trata-se de um vínculo produzido pelo Deus Triúno. Uma reunião de jovens da igreja, em um sábado, pode originar ou nutrir amizades boas e saudáveis, mas isso não é, necessariamente, comunhão dos santos. A comunhão dos santos sempre contém amizade sincera, mas nem toda amizade é realmente comunhão dos santos, pois esta última produz frutos espirituais.

Onde esta comunhão é vivenciada, uma rede de pastoreio alimenta a fé e restringe o pecado. Como isso acontece e qual a relação disso com a Reforma Protestante? Fique atento ao próximo Boletim.

Pr. Misael. Publicado no Boletim 360 | 20 de novembro de 2016.

Notas

[1] CALVINO, João. Institutas: Edição Clássica. 2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, IV.I.2. v. 4.

[2] CALVINO, op. cit., IV.I.3.

[3] Ibid., IV.I.4.

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