O convite ao descanso

Ainda que a Escritura enfatize a luta espiritual, ela não nos orienta para a obsessão com relação ao diabo. A verdadeira espiritualidade é uma resposta ao convite do Redentor:

[28] Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. [29] Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. [30] Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve (Mt 11.28-30).

Nosso Senhor profere estas palavras depois de exultar pela graça divina revelada aos “pequeninos” (Mt 11.25-27). Hendriksen interpreta corretamente ao dizer que a fé em Jesus nos liberta do “terror que escraviza, ansiedade que consome, desespero sem qualquer vislumbre de esperança”. O NT Siríaco (Peshitta) traz “eu lhes darei descanso […] porque eu sou tranquilo […] e encontrarão descanso para si mesmos”. O termo traduzido como “descanso” tem o sentido primário de cessação de atividade que conduz ao repouso físico, mas sua aplicação para a “alma” (psychē, a parte imaterial e invisível do ser humano) aponta para a pacificação do coração e da mente.

O conselho autoritativo que Jesus oferece não é apenas bom para a alma; quando levado a sério, também beneficia grandemente o corpo. O descanso — paz de coração e mente — que Jesus aqui provê é precisamente o oposto da gravíssima tensão mental que envia tantas pessoas aos médicos, aos hospitais e à morte.

Para sermos saudáveis nós temos primeiramente de desfrutar de Deus como criador e soberano — aquele que governa sobre tudo por sua providência. Ao mesmo tempo, é fundamental tê-lo como Deus que nos dá descanso por meio de Jesus. Isso nos ajuda a encontrar tranquilidade nele como o Pastor que nos ama, supre e protege (Sl 23.1-6). Um cristão fervoroso não é aquele que enxerga anjos e demônios em cada canto de rua, símbolo ou cor, mas aquele que repousa confiantemente nos braços carinhosos do Altíssimo (Sl 131.1-3).

Rev. Misael. Publicado no Boletim 164, de 17/02/1013.

Categorias: Pastorais

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