O evangelho é suficiente

A barreira mais difícil de ser transposta na mente do homem natural não é a do apego a pecados escabrosos, mas sim a da justiça própria. Demora pra gente compreender que, em tudo o que diz respeito à nossa existência “debaixo do sol”, só temos duas opções: (1) a vida marcada pelo pecado ou (2) a vida marcada pelo pecado e pela graça do evangelho. Em ambas o pecado está lá, feio e devastador. A diferença é que, no segundo caso, somos cobertos pelo sangue e pela justiça de Jesus Cristo, nosso Redentor Maravilhoso. E só nele é que está toda nossa esperança, glória e dignidade (1Co 1.30-31).

O fato é que mesmo aqueles cujos passados foram mais terríveis, tendem a considerar o “estar em Cristo” como uma espécie de blindagem que garante uma vida linda, imaculada e resguardada de percalços espirituais. Entendemos o evento dramático da conversão — nossos olhos marejados diante da cruz — dissociado do restante da vida cristã. Lá, na conversão, precisamos da graça do evangelho; aqui, no discipulado cristão, dizemos que dependemos de Deus quando, no fundo, continuamos confiando, parcialmente, em nossa própria competência e esforço. Olhamos em volta; estamos em Sião. Os inconversos e fracos, por sua vez, estão prostrados no vale, abaixo de nós. Isso se repete até o dia em que Deus nos ensina a inconsistência de “iniciar” no evangelho e aperfeiçoar-se na “carne” (Gl 3.3). Deus aplica em nossas vidas Ezequiel 16.62-63:

Estabelecerei a minha aliança contigo, e saberás que eu sou o Senhor, para que te lembres e te envergonhes, e nunca mais fale a tua boca soberbamente, por causa do teu opróbrio, quando eu te houver perdoado tudo quanto fizeste, diz o Senhor Deus.

Deus nos dá corda e nos deixa agir conforme nossas inclinações. Então pecamos e nos envergonhamos. E nessa vergonha, somos reconduzidos ao fato básico: nós, cristãos de “velha data” só permanecemos de pé por causa da graça de Deus no evangelho. Isso todos os dias, até o fim de nossas vidas neste mundo. O que diferencia um cristão de um não cristão, ou uma família cristã de uma família não cristã é simplesmente a aplicação da graça divina sobre o pecado. E o evangelho, por si, é suficiente!

Pr. Misael.

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