Os que adiam

“Começarei a dieta na segunda-feira” — pensava eu com meus botões. Protelar coisas importantes é ruim e mais comum do que gostamos de admitir. Eu só tinha de caminhar 30 minutos diariamente e comer certo. Mas era necessário deixar de dizer que eu faria e começar a fazer, agora.

Imaginemos uma pessoa viciada em pornografia que participa de um culto cristão. Ela pensa: “A partir de amanhã eu deixarei de ver isso”. Sempre amanhã. Cada vez que peca ela ora. Ela sabe o que deve fazer, mas não faz.

Eu sei que o leitor pode achar a comparação exagerada e impertinente: Do alimento em excesso para a pornografia. A questão é que, na essência, trata-se de necessidade de moderação ou contenção de apetite (em um caso, de comida, em outro, de sexo).

O que diz o evangelho? “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.36). E ainda, “assim como o corpo sem espírito é morto, assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2.26). Trocando em miúdos, a santidade deve ser prática e não apenas conceitual.

O fato é que vitórias espirituais são precedidas por hábitos santos. Hábitos são precedidos por resoluções. Para uma resolução tornar-se hábito, ela tem de ser item cumprido na agenda.

Tal prática exige disposição — dá trabalho. A maior parte de nossas derrotas decorre de nossa lassidão. Somos moles porque somos preguiçosos. Preferimos não nos exercitar na piedade (cf. 1Tm 4.7-8; 2Pe 2.9). Um bom hábito produz uma cadeia de coisas boas. É assim também com as práticas de santidade.

Mas o Diabo nos confunde e consideramos a questão complicada demais. Nossos traumas emocionais ou psicológicos são profundos. Somos problemáticos. Talvez precisemos de uma técnica espiritual sofisticada. Ou o pior: Não há solução. Continuaremos mentindo e traindo, rolando no mau-cheiro de nossas perversidades. E culparemos o inimigo, a vida que foi dura demais, nossos pais, ou a igreja que não nos dá assistência. E quando ouvirmos aquela voz dizendo “comece a dieta”, pensaremos: “amanhã”.

Rev. Misael. Publicado no Boletim 174, de 28/04/2013 (Veja post completo aqui)

Categorias: PastoraisTags:

Comentários

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *