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Quando não há palavras

Um dos mais importantes serviços que podemos prestar uns aos outros é falar. Uma palavra pertinente refrigera a alma; um conselho sábio pode salvar uma vida. Palavras têm o poder de construir, satisfazer necessidades e transmitir graça (Ef 4.29). Assim sendo, precisamos suplicar a Deus por sabedoria e coragem, a fim de falarmos certo nos momentos certos.

Há momentos, porém, em que não sabemos o que falar. Quem nunca passou por isso em uma visita a um doente terminal, uma família enlutada ou um cenário onde reinam o caos e a dor? Por não ter o que falar, a tendência é nos afastarmos, não desprezando o outro, apenas sentindo-nos inadequados. Tememos que, falando, pioremos as coisas. Pisamos em ovos e preferimos observar de longe.

O que fazer quando faltam as palavras? Em 1996 eu estava ao lado de uma sepultura, observando o caixão de meu irmão. Eu fui ao hospital e providenciei as papeladas referentes ao sepultamento e o culto fúnebre. Ao ver, porém, o corpo de meu irmão desaparecendo dentro de um buraco no chão, desabei. O que poderia ser dito? Um colega me abraçou, sem dizer nada. Aquele gesto rompeu as comportas de minha alma, inundadas de tristeza. Meu irmão havia partido. Eu não precisava de nada teórico; eu apenas sentia e foi precioso saber que, naquela hora, alguém sentia comigo.

Quando não há o que dizer, a amizade fiel diz tudo. A proximidade comunica mais do que qualquer frase de efeito. Depois de um tempo, haverá espaço para o diálogo profundo, mas, nos momentos mais dolorosos, palavras são insuficientes.

O que fazer quando não sabemos o que dizer? Tentemos amar e amar. Ainda que em silêncio, mas sempre presentes.

Pr. Misael. Publicado no Boletim 238 | 20 de julho de 2014

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