Se tivéssemos asas

Meditamos recentemente sobre perplexidade e medo (cf. Boletim 98). Eis-nos, novamente, diante de um salmista estremecido (Salmos 55.4). Acochado pela crise, Davi suspira: “Quem me dera asas como de pomba! Voaria e acharia pouso” (Salmos 55.6). Voar, fugir, sumir e achar “pouso”, ou seja, descanso.

O desejo de desaparecer é compreensível; esquivar-se parece mais fácil. Assim é que, na literatura, o casal decide fugir a fim de desfrutar do amor proibido. A menina adolescente dá a volta no pátio da escola para não se encontrar com o rapaz que lhe mandou “aquele” bilhete. Devedores fogem dos credores e criminosos mudam-se para países nos quais estejam livres de extradição.

Viver é desafiador. No meio comercial se diz que é necessário “matar um leão” por dia. A Bíblia vai além; enfrentamos diariamente um dragão. Sendo assim, em cada aperto somos colocados diante de duas opções, lutar ou fugir. Considerando o padrão assumido, vencemos ou somos vencidos.

Não é vergonhoso ou incorreto, em algumas situações, evitar o confronto e até recuar estrategicamente (Lucas 14.31-32). No entanto, temos de amadurecer até o ponto de encarar os fatos e enfrentá-los com honestidade e fé; depender do Altíssimo e ir à luta; prosseguir ainda que de joelhos. Este é o padrão bíblico de administração da crise. Davi entendeu isso muito bem; apresentou seus opositores a Deus e foi consolado com a certeza de que o Senhor reina e julga (Salmos 55.9-23). Sigamos seu exemplo, pois menos do que isso é insuficiente.

Pastoral publicada no Boletim 101, de 04/12/2011. Rev. Misael.

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