Silêncio

A vida seria insuportável sem o silêncio. O coração tumultuado precisa da tranquilidade proveniente da ausência de perturbações. Esse estado de pleno descanso é a base para benefícios espirituais e físicos.

As muitas atividades e a ansiedade nos confundem. Não raro eu me descubro lidando com dezenas de pensamentos simultâneos. O cérebro em trabalho frenético, processando imagens e dados, tecendo análises, alinhavando argumentos e adiantando projetos. O coração a mil: correria; confusão; ausência de silêncio.

Isso significa que o silêncio não é apenas físico. Eu posso estar em plena tormenta, esmagado pelo tumulto, mesmo quando meus ouvidos não estão sendo incomodados com uma quantidade exagerada de decibéis. Existe um silêncio emocional e espiritual, que eu preciso aprender a cultivar. Na tradução de Lutero, lemos em Salmos 65.1: “A ti, ó Deus, confiança e silêncio em Sião”. Isso porque o vocábulo que em nossa Bíblia é traduzido por “louvor”, tem o sentido de “calma”, “repouso” e “espera”.

O silêncio nos cultos, nos lugares de adoração, é cada vez mais raro. Silenciar, dizem, é chato, produz uma certa agonia; aquela “coceirinha” na ponta do dedão do pé que faz com que remexamos os sapatos na hora da oração silenciosa. Gostamos do barulho e ritmo (e quanto mais melhor), pois estes reproduzem melhor o estado ansioso de nossos corações carentes do tratamento da graça.

O silêncio no templo espiritual – em nosso coração – carece de  incentivo. Guardá-lo exige esforço. Se você acha que é simples, tente por uma semana, cinco minutos por dia. Sozinho, silencie todas as vozes e inquietações. É fácil?

Lembro-me das palavras do salmista:

Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando à procura de grandes coisas, nem de coisas maravilhosas demais para mim. Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre
(Salmos 131.1-3).

Silêncio, então, tem a ver com fé. Quando compreendemos isso, desfrutamos da promessa de nosso Senhor: “Deixo-vos a paz” (João 14.27).

Pastoral publicada no Boletim 94, de 16/10/2011. Rev. Misael.

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