A justiça “difícil” de Jesus

A justiça “difícil” de Jesus

O cristão anda por fé e disposto a servir. De acordo com Jesus, nossa justiça deve exceder a dos fariseus (Mt 5.20). Em Mateus 5.38-42, nosso Redentor ordena como devemos reagir aos perversos, sejam estes judeus ou romanos.

A justiça de Jesus extrapola o direito. Conforme Deuteronômio 24.10-13, o pobre cujo manto foi tomado como penhor de uma dívida, tinha o direito de ficar com ele durante a noite, para se proteger do frio. Jesus ordena ao pobre que renuncie a seu único direito entregando não apenas a túnica, mas também a capa (Mt 5.40). O cobrador poderia comover-se, impedindo que a situação ficasse mais séria, contaminada por litígio e ódio.

No séc. 1, qualquer cidadão romano podia parar um judeu na rua e exigir que levasse sua carga, pelo percurso de uma milha. Os discípulos de Jesus devem se dispor a andar sob o dominador por duas milhas (Mt 5.41; cf. 27.32).

Eis a síntese da instrução de Jesus: “Vocês não podem humanamente vencer os perversos judeus ou romanos. Busquem servi-los com amor”. Não se trata de pacifismo raso ou subserviência interesseira ou covarde, e sim de amor vivo, que livra os cristãos do ódio, cobiça e desrespeito; que os conduz à sinceridade e confiança mútuas e a bom senso que contribui para a paz, generosidade e vida (Mt 5.21-48).

Serviço humilde aos irmãos e ao mundo. Igreja que serve a Deus deixando-se esbofetear, entregando, além da túnica, a capa e andando a segunda milha (Mt 5.38-41). Serviçais do reino. Eis o povo que Cristo reúne em torno de si.

Pr. Misael.