Evangelização na IPB Rio Preto

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Como a IPB Rio Preto compreende e implementa a evangelização, o discipulado e o início de novas igrejas? Quanto à base bíblica e teológica, a evangelização, discipulado e início de novas igrejas da IPB Rio Preto segue o que consta no livro do Rev. Misael Batista do Nascimento, Evangelização e Discipulado (Editora Cultura Cristã), disponível em formato de curso on-line no site do Centro de Treinamento Presbiteriano, a partir de 01 de setembro de 2020. Quanto à prática, a partir de janeiro de 2021, a igreja será motivada a caminhar de acordo com aquilo que consta nesta página.

Primeiro verificaremos como entendemos algumas palavras ou expressões mencionadas com frequência, quando falamos sobre evangelização, discipulado e início de igrejas. Em seguida, entenderemos que a IPB Rio Preto ora e trabalha para ser capaz de sustentar-se e propagar-se. Por fim, notaremos que a IPB Rio Preto ora e trabalha para ser igreja evangelista e discipuladora.

I. Os significados de algumas palavras ou expressões relacionadas à evangelização, discipulado e novas igrejas

Eis os significados — no contexto da doutrinação da IPB Rio Preto — de algumas palavras relacionadas à evangelização e ao discipulado.

Mandato evangelizador e discipulador.
A “Grande Comissão”. A ordem pronunciada pelo Senhor Jesus após sua ressurreição, para que os cristãos preguem o evangelho e façam discípulos de todas as nações (Mt 28.18-20; Mc 16.15-16; Lc 24.44-49; Jo 20.21-23; At 1.8).
Mandatos criacionais.
Também chamados de mandatos ou ordenanças da criação. Ao criar o mundo, Deus estabeleceu o homem como seu vice-gerente, convocando-o a cumprir três mandatos: (1) espiritual ou da comunhão; (2) social e (3) cultural. O mandato espiritual ou da comunhão é o chamado a desfrutar de uma comunhão de amor com Deus que se traduz em devoção, serviço e obediência (Gn 1.26-27; 2.15-17; cf. Dt 6.4-5; Mt 22.36-38). O mandato social é o chamado a amar ao próximo, estabelecendo conexão respeitosa e amorosa com outros seres humanos, ou seja, vida social (Gn 2.18,21-25; Mt 5.21-48). O mandato cultural é o chamado a “dominar”, ou seja, “criar tecnologia”, “administrar” as coisas criadas e servir a Deus no exercício de cada vocação para glória de Deus (Gn 1.26-28; 1Co 10.31; Cl 3.17, 22—4.1).
Expansão do reino de Deus.
Do ponto de vista da doutrina da criação, o reino de Deus é “o universo formado pela palavra de Deus” (Hb 11.2). Sob este ponto de vista o reino é o cosmos, ou seja, como criador todo-poderoso e soberano, Deus reina sobre tudo (1Cr 29.12). Do ponto de vista das doutrinas dos mandatos criacionais, da evangelização e da escatologia cristã, o reino de Deus foi inaugurado com a vinda de Jesus, é expandido quando os cristãos fazem discípulos e cumprem os mandatos ou ordenanças divinas e será consumado no retorno glorioso de nosso Senhor Jesus Cristo (Mc 1.15; 4.11; 9.1; 11.10; 14.25; 15.43; At 1.3,6; 8.12; 19.8; 28.31; Cl 1.13; 2Tm 4.1; 2Pe 1.11; Ap 11.15; cf. Mt 4.23; 1Co 15.28; Hb 2.8). Sendo assim, a bênção de Deus sobre a evangelização e o discipulado correspondem à expansão do reino de Deus neste mundo.
Evangelho.
A revelação e explicação da Bíblia sobre: (1) quem é Jesus Cristo; (2) o que Jesus Cristo fez, faz e fará (em seu ministério terreno, morte, ressurreição e exaltação; em seu ministério celestial como Profeta, Sacerdote e Rei; e em sua segunda vinda, consumando o reino de Deus); (3) as implicações disso para o ser humano hoje.
Evangelizar.
O ato de convidar um indivíduo a se tornar cristão. Explicar quem é Jesus Cristo e o que ele fez, faz e fará. Motivar o indivíduo a clamar pelo milagre do Espírito Santo que o conduz a abandonar sua justiça própria e seu pecado, confiando somente em Jesus como Senhor e Salvador. Chamar o indivíduo a andar com Deus neste mundo, desde agora, como discípulo de Jesus Cristo. Informar sobre a vida eterna e a volta de Jesus Cristo, sublinhando que o ser humano será eternamente feliz, se for feito cristão pela graça de Deus, ou eternamente infeliz, se não crer salvificamente no Filho de Deus.
Evangelização.
A ação de evangelizar. Notemos que a verdadeira evangelização demanda tempo e um tipo específico de aproximação e relacionamento, que propicia explicações de verdades complexas e convites ao arrependimento e fé.
Evangelismo.
O evangelismo é diferente da evangelização porque não exige, necessariamente, interação pessoal profunda. O evangelismo busca chamar a atenção das pessoas para o evangelho. Pode ser desempenhado por uma trupe que apresenta uma música, mímica ou palhaçaria, ou por um cristão que entrega folhetos ou Bíblias aos transeuntes em uma praça. Ao fim da atividade, Deus graciosamente pode conduzir as pessoas a interessar-se no Senhor Jesus Cristo ou nas coisas espirituais, e é exatamente nesse ponto que o evangelismo é útil. Mas evangelismo é apenas uma parte da tarefa.
Evangelista.
A pessoa que pratica a evangelização. Cada cristão é chamado e capacitado por Jesus Cristo para ser testemunha e evangelista (Mc 16.15-16; Lc 24.45-49; Jo 20.21-23; At 1.8; 2Co 5.18-20; 1Pe 2.9; 3.15-16; Ap 7.3; 14.6-7; cf. Mc 13.10). Nós não acreditamos que Deus concede somente a alguns um “dom de evangelismo” ou “dom de evangelista”.
Discipulado.
O processo de fazer discípulos de todos os grupos étnicos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que Jesus ensinou, começando pelos cinco discursos de Jesus no Evangelho de Mateus — o sermão do monte (Mt 5—7); a missão apostólica (Mt 10); como o reino vem (Mt 13); a disciplina cristã (Mt 18) e os falsos mestres e o fim (Mt 23—25) — e prosseguindo por toda a Sagrada Escritura, uma vez que cada livro da Bíblia tem relação com Cristo e o evangelho.
Discípulo de Jesus Cristo.
Um cristão bíblico, nascido de novo pelo poder do Espírito Santo (Jo 3.3-8). Aquele que acredita em Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador e o segue no discipulado, como Senhor. O discípulo é sempre discípulo de Jesus e não de um discipulador ou igreja (Jo 3.16; 5.24; 1Jo 5.12; cf. Ef 2.8-9; 1Co 11.1; Ef 5.1-2).
Discipulador.
O cristão que ora e trabalha para fazer discípulos de Jesus. Cada cristão é convocado e espiritualmente capacitado para trabalhar e até sofrer, a fim de contribuir para que outras pessoas sejam feitas seguidoras do Senhor Jesus Cristo pelo poder do Espírito Santo (At 1.8; 9.15-16; 1Co 3.6-9; Gl 4.19; Cl 1.28-29). Deus designou cada cristão como agente humano da evangelização e do discipulado (Is 6.8; cf. acima, mandato evangelizador e discipulador).
Início de igreja.
O processo de iniciar um novo grupo de cristãos, até o ponto deste se tornar uma igreja, conforme os padrões doutrinários e organizacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Depois de definir os significados dos termos acima, apresentamos o desafio de servir a Deus como igreja que se sustenta e propaga.

II. Igreja que se sustenta e propaga

Oramos e trabalhamos para ser uma igreja que se sustenta e propaga (figura 1).

Igreja que se sustenta e se propaga.
Figura 1. Igreja que se sustenta e se propaga.

Uma igreja que se sustenta é capaz de manter suas despesas e investimentos em evangelização e missões, auxílio aos necessitados da igreja, causas sociais, equipe de pastores e seminaristas, trabalho das sociedades internas e ministérios, manutenção de equipamentos, bens e instalações e, por fim, verbas de presbitério e supremo concílio, sem apoio de outras igrejas ou do Presbitério.

Para uma igreja ser autossustentável, é necessária a bênção graciosa de Deus, configurando dois cenários:

  1. A igreja é revitalizada com inclusão frequente de novos membros. Por esta razão temos de orar, proclamar a boa notícia da salvação e investir na restauração de pessoas.
  2. Os membros atuais e os novos membros precisam compreender o privilégio, bênção espiritual e responsabilidade de serem dizimistas e ofertantes. Pela fidelidade na consagração de dízimos e ofertas a igreja ganha musculatura econômica e financeira para fazer frente aos desafios e oportunidades de expansão do reino de Deus.

O verbo “propagar” tem o sentido de “multiplicar, ou reproduzir por geração” (Dicionário Aurélio). Uma igreja que se propaga evangeliza e discipula sua cidade e região, fomentando o início de igrejas novas.

III. Igreja evangelista e discipuladora

A igreja é estabelecida por Deus para pregar o evangelho e discipular as pessoas da cidade, da região (cidades vizinhas) e dos confins da terra (Ef 1.20-23; 3.8-13; cf. At 13.2-4; 15.3; Rm 10.14-15; 15.18-20,24,28).

Ela cumpre seu papel evangelístico e discipulador atentado para quatro coisas:

  1. Presença. Cumprir as ordenanças de Deus na cidade (mandatos espiritual, cultural e social).
  2. Proclamação. Compartilhar o evangelho com a cidade.
  3. Persuasão. Fazer discípulos na cidade.
  4. Propagação. Ajudar os novos membros a repetirem o processo. Além disso, fomentar o início de igrejas na cidade, na região e em outras culturas e nações (figura 2).
Os quatro Ps da igreja evangelista.
Figura 2. Os quatro “Ps” da igreja evangelista.

Dito de outro modo, nossa igreja obedece a Deus pregando o evangelho e discipulando pessoas e iniciando novas igrejas em São José do Rio Preto, nas cidades próximas, no Brasil e no mundo.

Para que isso se torne efetivo, é fundamental orar e trabalhar para criar e cultivar uma cultura interna (dentro da igreja) de evangelização e discipulado.

3.1. Uma cultura interna de evangelização e discipulado

Quando mencionamos uma cultura interna de evangelização e discipulado, falamos de um ideal ainda não alcançado.

Nossa igreja terá desenvolvida uma cultura interna de evangelização e discipulado quando os membros pensarem, respirarem e assumirem práticas de evangelização e discipulado espontaneamente, como um aspecto sobrenatural de sua identidade em Cristo.

Uma prática de evangelização e discipulado é toda ação pessoal ou familiar, de uma sociedade interna ou ministério da igreja, que se mostra sensível e interessada em compartilhar o evangelho e fazer discípulos. Se Deus nos agraciar com uma cultura interna de evangelização e discipulado, os membros, suas famílias, bem como os oficiais e líderes de sociedades e ministérios planejarão e executarão as atividades considerando a possibilidade de interagir e se comunicar “evangelisticamente”, fomentando discipulado com pessoas de fora da igreja.

Se Deus permitir, o ministério pastoral da IPB Rio Preto vai orar e se empenhar para ver uma cultura verdadeiramente evangelística e discipuladora brotar e criar raízes na igreja.

3.2. Alvos bíblicos de evangelização e discipulado

Nenhuma igreja tem como prever quantos indivíduos, a cada ano, serão convertidos e integrados em sua lista de membros. Os resultados da evangelização e discipulado são produzidos de acordo com a soberania de Deus (1Co 3.6-7). Sendo assim, entendemos alvos de evangelização e discipulado como metas de trabalho, correspondentes aos atos de “semear” e “regar”.

3.2.1. Seis alvos de evangelização e discipulado

Nós vamos orar e nos esforçar para assumir e atingir seis alvos bíblicos de evangelização e discipulado.

  1. Orar por avivamento bíblico, suplicando ao Espírito Santo que nos santifique e encha de poder e entusiasmo para o testemunho cristão; que ele proteja, purifique, conceda graça e capacite cada pregador e professor, nas ocasiões de pregação e ensino da Palavra de Deus.
  2. Consolidar um programa e iniciativas fiéis, acessíveis e abençoadoras de educação cristã, “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12).
  3. Compartilhar conteúdos bíblicos com o máximo possível de pessoas.
  4. Estabelecer polos de testemunho, com vistas a estimular conexões de evangelização e discipulado em escolas, universidades e instituições de ação e assistência social.
  5. Iniciar novas igrejas sob a direção do Espírito Santo.
  6. Buscar conexão com a cidade de São José do Rio Preto, criando oportunidades para estabelecer a presença da igreja no cumprimento dos mandatos criacionais; compartilhar o evangelho e convidar para o discipulado cristão.

Alvos específicos de evangelização e discipulado podem e devem ser formulados pelos membros, famílias, sociedades internas e ministérios da igreja.

3.2.2. Quanto ao início de novas igrejas

Tanto os cristãos individuais quanto as famílias, sociedades internas e ministérios da igreja devem orar a Deus, pedindo a ele que dirija e abençoe os esforços, para que novas igrejas sejam estabelecidas em nossa cidade e região.

Uma nova igreja é iniciada a partir de um ajuntamento de pessoas em torno da pregação sadia da Palavra de Deus.

Ordinariamente, isso pode ocorrer a partir de um grupo da igreja simples (GIS) que cresce ao ponto de demandar organização e modo de funcionamento como ponto de pregação.

Ajuntamentos de crentes (e, a partir deles, novas igrejas) podem surgir com base em iniciativas individuais ou de grupos (cultos, grupos de oração, ações de evangelização e discipulado de membros, sociedades internas ou ministérios da igreja, etc.).

Inspirados pela experiência dos crentes de Antioquia (At 11.20-24), os passos para início de uma nova igreja são os seguintes:

  1. Falar-anunciar.
  2. Estabelecer um núcleo de crentes.
  3. Somente então, investir em obreiro e despesas com instalações e estruturas (figura 3).
Pessoas antes de obreiros, pessoas e obreiros antes de estrutura.
Figura 3. Pessoas antes de obreiros, pessoas e obreiros antes de estrutura.

Poderemos também apoiar iniciativas de início de igrejas por meio de parcerias, com duas ou três igrejas dividindo custos e investimentos (figura 4).

Igrejas parceiras.
Figura 4. Igrejas parceiras.

O início de novas igrejas sempre será acompanhado pela Junta de Missões da IPB Rio Preto, sob as vistas do Conselho.

3.2.3. Incursões de evangelização e testemunho

A IPB Rio Preto poderá organizar incursões de evangelização e testemunho na cidade, região e outros Estados, abrindo espaço para que os membros da igreja testem ou exercitem seus dons e amadureçam em experiência evangelística. Os que se sentem chamados ao ministério missionário ou pastoral serão colocados em contextos de serviço prático, confirmando suas vocações e produzindo frutos antes do envio a institutos bíblicos e seminários.

Conclusão: nossa esperança

Ao comentar a petição “venha o teu reino” (da oração do “Pai Nosso”, em Mt 6.9-13), João Calvino afirmou o seguinte:

Deve-se almejar que aconteça cada dia que de todos os rincões do mundo Deus junte a si suas igrejas, as propague e as faça aumentar em número, as sature de suas dádivas, estabeleça nelas ordem legítima; em contraposição, que prostre a todos os inimigos da sã doutrina e religião, lhes dissipe os conselhos; lance abaixo seus planos.[1]

Calvino sintetizou cinco aspectos bíblicos da expansão do reino:

  1. Deus junta as igrejas a ele.
  2. As igrejas são propagadas.
  3. As igrejas aumentam em número.
  4. As igrejas são saturadas de dádivas.
  5. As igrejas são devidamente governadas.

Oramos para que Deus nos ajude a cooperar com a expansão do reino, obedecendo ao seu mandato evangelizador e discipulador. Dessa forma, colocaremos em prática o ideal de serviço da IPB Rio Preto, nos tornando cada vez mais:

Uma família de discípulos de Jesus, fundamentada na Bíblia, comprometida com a Reforma, que proclama as boas-novas da salvação, atua na restauração de pessoas e coopera na edificação do Reino de Deus.

Vamos nos prostrar diante de Deus com súplicas fervorosas. Vamos semear e regar a boa semente do evangelho. Que seja assim, para o agrado e glória de nosso Deus!

Pr. Misael Batista do Nascimento. 08/07/2020.

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Nota

[1] CALVINO, João. As Institutas: Edição Clássica. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, iii.xx.42, v. 3, p. 369.