“Não resistais ao perverso”

“Não resistais ao perverso”

O que Jesus quis dizer em Mateus 5.39 — “eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso”? Temos de ser passivos diante do mal?

No séc. 1, os judeus estavam sob Roma, que escancarava os ferrolhos das grandes fortalezas e rebaixava os reis da terra. Israel venceria Roma pela espada? Os fanáticos zelotes respondiam que sim, mas esta indignação causou devastações. Antes e depois de Jesus, a atitude ardente e revoltosa dos zelotes conduziu a montões de mortes.¹ No outro extremo estavam os alienados e conformados, que não reagiam aos romanos, investindo cada um em sua “paz particular”, compactuando com a injustiça.

Jesus não propõe uma revolta violenta, nem uma reação de ódio. Sua ordem “não resistais ao perverso” é um chamado ao bom senso: “Olhem bem para vocês e depois avaliem Roma; não se lancem em um empreendimento suicida; não se entreguem à morte tola, movidos por ódio e violência; quem vive da espada pela espada perecerá”. No entanto, a proposta de Jesus não é de conformação, e sim de confrontação, com vistas a estabelecer a justiça do reino de Deus.

De acordo com Jesus (Mt 5.38-48), não é para ficarmos inertes diante do mal. Também não devemos nos juntar aos que buscam soluções violentas, mastigando e expelindo ódio. A justiça do reino requer que respondamos ao perverso positivamente. Paulo entendeu Jesus corretamente, ao exortar: “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21).

Pr. Misael.

1. O movimento zelote pretendia libertar Israel pela violência. Um dos discípulos de Jesus, Simão e provavelmente Judas Iscariotes, eram zelotes; cf. Mateus 10.4; Lucas 6.15.