Página 2

O tempero de Deus

Após algum tempo de caminhada no deserto, os israelitas sentiram saudades da comida egípcia:

Os filhos de Israel tornaram a chorar e também disseram: Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos. Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este maná (Números 11.4-6).

A rotina do deserto produz confusão e desalento. O destino é a Terra Prometida e falam de um lugar cheio de sombras aprazíveis, mas enxergamos, momentaneamente, apenas areia e sofremos debaixo do sol abrasador. Alguns descrevem o solo fértil, capaz de alimentar os rebanhos e prover trigo, legumes e frutas saborosas, mas, por ora, só temos “este maná”, tão corriqueiro, tão igual. Isso é assim na vida acadêmica, profissional, familiar e até espiritual. Até pouco tempo caminhávamos felizes; agora, olhamos em volta e pensamos: “estamos cansados, queremos outra coisa”.

O que nos torna insatisfeitos? O que nos faz desprezar o que Deus nos dá? Examino meu próprio coração e vejo egoísmo e prepotência. Olho para o Senhor, “manso e humilde de coração” (Mateus 11.29); olho para o maná, enviado diretamente por Deus, provisão rica e deliciosa. Então me arrependo.

Não há problema em querer, o pecado está em querer algo que Deus não queira. A suma da vida cristã é submeter nossos desejos à vontade divina. Sendo assim, sejamos gratos pelo maná.

Deus alimentou a Elias, o deprimido (1Reis 19.4-5). Semelhantemente, forneceu pães ao seu Filho Jesus, após a tentação (Mateus 4.11). Mais adiante, o próprio Redentor identificou-se como “o pão de Deus [...] que desce do céu e dá vida ao mundo” (João 6.32-35). Por isso, a cada vez que percebo, no íntimo, alguma indisposição contra aquilo que Deus me tem dado, reconheço que se trata de resistência ao próprio Cristo, me lembro do destino dos comedores de carne do deserto e clamo por misericórdia (Números 11.18-20 e 31-34).

De certo modo, na Ceia, ao participarmos do pão cotidiano que aponta para o pão celestial, evocamos o maná. Trata-se de um pão exclusivo, a única coisa verdadeiramente singular da igreja. Qualquer religião ou associação humana pode realizar eventos e cerimônias, somente a igreja desfruta e compartilha do Senhor Jesus Cristo como “pão da vida”. É na e através da igreja que este maná é dispensado.

Você já olhou para a igreja e percebeu sua simplicidade? Nela as pessoas recebem sustento, semana após semana. Tudo muito singelo, mas poderoso e eficaz. A igreja possui o maná e se alegra nele. Os amantes da culinária egípcia não se sentem bem na igreja e quanto mais eu compreendo isso, verifico que tenho de amar mais e melhor a este povo em cujo meio é distribuído o alimento com o tempero de Deus.

Rev. Misael. Publicado no Boletim 028.

Deus é por nós

No Salmo 56.9 lemos uma declaração digna de nota: “No dia em que eu te invocar, baterão em retirada os meus inimigos; bem sei isto: que Deus é por mim”. A confiança de Davi é destacada em um verso anterior: “Em Deus, cuja palavra eu exalto, neste Deus ponho a minha confiança e nada temerei. Que me pode fazer um mortal?” (Salmo 56.4).

Leio tais palavras e penso nas dificuldades cotidianas, nas enfermidades e nos lutos; oportunidades para confiar em Deus e exaltá-lo. Ele não tem nos abandonado, mas estado conosco, ajudando-nos no enfrentamento das tribulações.

É interessante neste Salmo que Deus não impediu Davi de passar pelo sofrimento; ele o socorreu no fundo do poço. Como seguidores de Jesus Cristo, não exigimos tratamento diferenciado: “No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16.33).

As tribulações desanimam. O desejo de todo pastor bíblico é caminhar com um povo cheio de vitalidade, no entanto, o dinamismo contínuo é uma fantasia. A igreja é uma família composta de pessoas sujeitas a intempéries e fraquezas. Ao mesmo tempo em que a comunidade do Novo Testamento era movida pelo poder do Espírito, ela era muito humana, tinha de alternar os ritmos para dar atenção aos feridos. Confirmava-se a prática do amor — os irmãos iam atendendo as necessidades uns dos outros (Atos 4.31-35; Gálatas 6.2). Na verdade este é um dos maiores milagres da graça na vida da igreja: pessoas se arrastando mas orando, contribuindo, trabalhando e adorando. Visito pessoas que não conseguem se levantar buscando forças em Deus e permanecendo firmes dia após dia. São irmãos e irmãs que podem dizer como Davi:

Contaste os meus passos quando sofri perseguições; recolheste as minhas lágrimas no teu odre; não estão elas inscritas no teu livro? (Salmo 56.8).

Isso é maravilhoso. Deus recolhe nossas lágrimas e as registra em seu livro. Realmente, em alguns momentos, não é fácil caminhar, mas a jornada se torna possível graças ao Senhor que atenta cuidadosamente para as nossas angústias e providencia, para cada um de nós, no tempo certo, o livramento.

Rev. Misael. Publicado no Boletim 027.

Adoração e plenitude do Espírito

A vida cheia do Espírito Santo é o padrão bíblico para os discípulos de Jesus Cristo. O apóstolo Paulo transmite-nos essa verdade em forma de ordem: “enchei-vos do Espírito” (Efésios 5.18). O interessante é a ligação entre o enchimento do Espírito e a adoração: “falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios 5.19-20).

A plenitude do Espírito Santo não combina com algumas posturas negativas da alma. Observe a ordem do argumento: fala edificante mais cânticos mais ações de graças é igual a vida cheia do Espírito. Onde a Terceira Pessoa da Trindade age, Cristo é destacado. Onde Cristo se destaca, ocorre transformação. Onde o Espírito reina, há manifestação de seu fruto.

A conversação edificante e adoração transparecem na vida do cristão. O indivíduo murmurador, que só destaca o lado ruim das coisas, que é ávido para registrar os defeitos de outros ou que se deixa abater e absorver pela insatisfação, deixa de desfrutar dessa bênção da plenitude espiritual. Caminhamos com Deus louvando, cantando e agradecendo, independentemente das circunstâncias. Enquanto fazemos isso, somos cheios do Espírito.

Experiências místicas impactantes, sinais e maravilhas, delírios emocionais e extravagância sensorial não são marcas da vida cheia do Espírito. O importante é o que está debaixo da superfície — um coração que se acalma diante de Deus, uma alma que aprende a confiar e agradecer. O que importa é o louvor que procede da consciência purificada no sangue de Cristo. O que vale mesmo é a capacidade de cantar mesmo quando se passa pelo vale mais escuro e profundo. O enchimento com o Espírito Santo pressupõe essa pedagogia da vontade, essa disposição para repetir, como o salmista: “Por que estás abatida, ó minha alma? Por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, a ele, meu auxílio e Deus meu” (Salmo 42.5).

Eis a verdade da Escritura: a adoração relaciona-se com a vida plena. Olhemos para o nosso Redentor, adoremos o seu nome e caminhemos cheios do Espírito.

Rev. Misael. Publicado no Boletim 026.

Atletas Espirituais [Série de Mensagens]

Aproveitando o ensejo da Copa do Mundo 2010, dedicaremos algumas semanas para meditar no tema Atletas Espirituais: As Estratégias Divinas Para a Vitória, baseadas em 1Coríntios 9.23-27. Confira as pregações:

  • 27/06 (9h). A identidade do atleta
  • 27/06 (19:30h). Quem leva o prêmio?
  • 04/07 (9h). Treinamento e resultados: O grande princípio
  • 04/07 (19:30h). Treinamento e resultados: Duas estratégias para a vitória
  • 18/07 (19:30h). Qual é a sua utilidade?